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Divulgação - TV Brasil
 
MANCHETES

» 15/05/2022 - 21:42
"Caminhos da Reportagem" resgata tradições e herança negra no país

O Caminhos da Reportagem apresenta a matéria especial "A luta pela abolição" neste domingo (15/05), às 22h, na TV Brasil. A edição inédita do jornalístico analisa como escravidão ainda ecoa na sociedade brasileira.

O programa traça um panorama sobre o processo que culminou com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel há 134 anos, em 13 de maio de 1888. A atração da emissora revisita esse período da história.

A iniciativa que extinguiu a escravidão no país é lembrada na produção realizada pela TV Feira, afiliada da TV Brasil na Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). O Caminhos da Reportagem conta episódios marcantes e indica algumas das consequências daqueles acontecimentos para o país.

O Brasil foi o local na América que mais recebeu negros cativos: 4,86 milhões de africanos escravizados, entre os séculos 16 e 19. A informação é do Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos, que reúne dados de mais de 35 mil viagens de navios negreiros.

Os principais pontos de partida de um negro escravizado que chegava no país eram Rio de Janeiro e Salvador. Locais onde até hoje a cultura afrodescendente é forte. Na Bahia, muitos negros foram levados para o interior, para cidades como Feira de Santana.

Naquela região, um escravo fugitivo fez história: Lucas da Feira. Precursor do cangaço, ele formou um bando que aterrorizou o território e ousou a desafiar o sistema da época para viver em liberdade. Lucas acabou sendo preso pela polícia e morto enforcado em 1849.

O personagem histórico é uma figura que simboliza a rebelião contra o sistema escravocrata em Feira de Santana. "Eles estavam lutando contra uma estrutura violenta e essa era uma reação a essa estrutura, que tentou tirar dele o direito de ser humano e de ser livre", explica a pesquisadora Eliane de Jesus Costa.

Na história pela liberdade, também entram os quilombos, sempre lembrados pelo icônico Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, que chegou a reunir 20 mil escravos fugidos no interior de Alagoas. A historiadora Railma dos Santos veio de uma comunidade remanescente de quilombo, na Bahia.

Nessa edição do Caminhos da Reportagem, a estudiosa explica que várias memórias e legados culturais daqueles tempos permanecem latentes. "São tradições que perpassam a escravidão, mas a experiência negra rural do Brasil, como o samba de roda, a bata do feijão, entre outros", conta sobre costumes locais.

Quando houve a abolição da escravatura, havia uma expectativa por parte da população negra de inclusão social. E não foi o que aconteceu. Mas a partir daí, também, começaram a surgir um movimento negro de ajuda aos negros. Prova disso é a Irmandade dos Homens Pretos, de Salvador, que foi responsável pela construção da Igreja do Rosário dos Pretos, símbolo do sincretismo religioso no Pelourinho, em Salvador.

Antes mesmo da abolição, a Irmandade já se organizava para dar apoio à comunidade negra. "A irmandade começa a angariar fundos para comprar a liberdade de negros escravizados e também para poder cuidar do sepultamento deles", destaca William Justo, primeiro-secretário da Irmandade, que existe até hoje.

O Caminhos da Reportagem registra diversas atividades características que podem ser encontradas nas ruas do Recôncavo Baiano que remetem à herança desse momento histórico como o bembé do mercado e o samba de roda.

Mistura de dança, luta, artes marciais e música, a capoeira também tem destaque na matéria dominical. Da proibição, nos tempos da escravidão, para Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO, a capoeira acompanhou a luta pela liberdade dos negros no país.

O programa exibido pela TV Brasil traz o depoimento do mestre de capoeira Ronaldo Santos Rosa. Ele aponta a prática como uma grande propaganda para o Brasil no exterior. "É o maior agente de língua portuguesa. Eu já vi um japonês, no Japão, cantando em português porque praticava capoeira", afirma.

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