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Divulgação - TV Brasil
 
MANCHETES

» 04/04/2021 - 16:47
"Caminhos da Reportagem" investiga submundo dos crimes cibernéticos

Neste domingo (04/04), às 20 horas, na TV Brasil, a edição inédita do “Caminhos da Reportagem” investiga o submundo dos crimes cibernéticos, que se multiplicaram no Brasil durante a pandemia de Covid-19, com mais pessoas conectadas à internet. O programa entrevista vítimas e conversa com especialistas em segurança sobre os chamados golpes virtuais, que apesar de já existirem desde antes da pandemia, agora contam com táticas mais elaboradas de execução.

O Brasil é o quarto país mais afetado por ciberataques no mundo, de acordo com Fabio Assolini, analista sênior de segurança da empresa Kaspersky, especializada em segurança para internet. Mais de 5 milhões de brasileiros foram vítimas de crimes de clonagem de WhatsApp em 2020, segundo levantamento da PSafe, empresa de segurança digital.

A jornalista Michelle Souza, de Brasília, foi uma das vítimas desse golpe. Ela estava conversando com contatos no WhatsApp quando recebeu uma ligação. Uma pessoa a convidou para um evento. Michelle seguiu as instruções que eram passadas pelo telefone: clicou em um link, que gerou um código por SMS, e informou o código à pessoa.

No golpe de WhatsApp, o criminoso induz a vítima a lhe informar um código recebido por SMS e com isso consegue ativar o WhatsApp da pessoa em outro aparelho. Assim, começa a interagir com os contatos dela, simula uma situação de emergência e pede dinheiro emprestado. Quando o golpista pediu dinheiro em nome de Michelle, um amigo dela não imaginou que poderia ser um golpe e transferiu cerca de 6 mil reais.

O presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares, explica que todas as redes sociais, as plataformas de e-mail e os mensageiros instantâneos, como WhatsApp e Telegram, contam com um recurso que permite ativar um segundo fator de autenticação para comprovar que você é você mesmo.

Como os golpes costumam ser “atualizados”, um dos temas do momento é a vacina contra a Covid-19. Golpistas usam o nome do Ministério da Saúde e das Secretarias de Saúde para enganar pessoas pelo WhatsApp. Chegaram a criar um perfil falso do secretário de saúde do Maranhão, Carlos Lula, também presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). “O golpista dizia ‘sobraram algumas doses do lote das vacinas. Você não quer adquirir para o seu município?’ E pedia um valor para que fizesse essa entrega. Obviamente absurdo. As doses de vacina são públicas, são gratuitas”, relatou o secretário.

Ao longo da pandemia, houve ainda um aumento de crimes relacionados à honra, à imagem e à dignidade das pessoas, segundo a SaferNet Brasil, que apontou um pico de casos envolvendo vazamento de imagens íntimas de nudez.

A fotógrafa Karim Kahn teve seu aparelho de celular roubado. No momento do roubo, o aparelho estava desbloqueado. Ela recebeu uma ameaça: caso não passasse os dados do banco e as senhas, uma foto dela de topless, que estava no celular, seria divulgada em seus grupos de Whatsapp. A ameaça foi concretizada. “Fiquei com muita vergonha. No primeiro dia que eu voltei para o trabalho, sabe, de cabeça baixa, pensando é o meu corpo, o que vão falar de mim?, revela.

O número de reclamações por vendas online aumentou em 400%, segundo o presidente do Procon de São Paulo, Fernando Capez. “Um número significativo dessas reclamações eram golpes”, diz.

Camila de Abreu, publicitária que mora em Brasília, foi vítima de golpe ao comprar um celular pela internet. Depois de conversar muito com o vendedor e tirar todas as dúvidas, ela fez a transferência bancária. “Na hora que eu depositei, uma coisa me dizia que ainda não estava certo. Foi quando eu tive a curiosidade de pegar o CNPJ da empresa que ele me passou, joguei na internet e vi que era falso”, conta Camila.

Para que os brasileiros sejam menos afetados pelas fraudes virtuais, uma das saídas apontadas por especialistas passa pela educação. A equipe do programa visitou uma escola onde a educação digital faz parte do currículo. “Quando você tem um jovem que entende um pouco mais de tecnologia, os pais, que talvez não entendam tanto, as tias, os avós, responsáveis, eles vão procurar esse jovem para tirar dúvidas. O caminho para a mudança é a educação”, defende o professor Felipe Azevedo.

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