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Divulgação - SescTV
 
MANCHETES

» 10/02/2018 - 19:37
Documentário inédito no SescTV expõe paradoxo social do Caboclo de Lança nos Maracatus de Pernambuco

O Caboclo de Lança é uma figura mística e tradicional da cultura brasileira. Durante o carnaval, cortadores de cana da Zona da Mata, em Pernambuco, se vestem com cores vibrantes, empunham suas lanças e, no ritmo dos maracatus, festejam pelas ruas da região. Instigada a narrar a história da tradição folclórica dessa festividade, a diretora Andrea Marranquiel, com produção de Marcelo Braga, da Santa Rita Filmes, realizou o documentário Carnaval do Silêncio, que estreia no SescTV neste sábado (10/02), às 22h.

A produção acompanhou os maracatus Cambinda Brasileira, Leão Dourado e Pavão Misterioso de Tracunhaem, todos localizados na Zona da Mata (PE). A tensão entre as ideias de som e silêncio, presente no título do documentário, se explica na situação paradoxal vivida pelos protagonistas da festa, os canavieiros: durante todo o ano, os homens extravagantes no carnaval suportam, calados, a exaustão nas plantações de cana. Apenas no maracatu eles comemoram a condição de caboclo.

A história da festa mostra o caráter híbrido da cultura brasileira com a raiz africana, indígena, portuguesa e cigana, compondo uma expressão única. O historiador Severino Vicente da Silva explica a origem da ascendência africana. “Os antigos escravos não tinham como se divertir. Com a abolição, eles começaram a encontrar formas.  E uma delas é o Caboclo de Lança”, diz.

Severino ainda acrescenta que, nessa época, os rituais eram menos lúdicos e mais violentos, posta a rivalidade entre as tribos. Os setenta metros de fita enrolados na vara dos caboclos é prova disso. “Diziam que cada fita daquela seria um caboclo que eles teriam matado”, explica o historiador.

Contudo, há delicadeza na costura e bordado das roupas do Maracatu, feitas pelos próprios caboclos, e no símbolo simples do cravo branco pendurado à boca. Os caboclos gostam da beleza e simbolismo da flor, mas Severino diz que o cravo é um signo mais profundo. “É um segredo, que só o caboclo sabe”, frisa.

O historiador ainda defende que a tradição do caboclo seja reconhecida como um símbolo nacional. “A gente tem que se acostumar que o povo brasileiro é capaz de criar seus próprios arquétipos. Nós temos uma mitologia”, protesta. Ele entende que o caboclo pode assimilar até as tendências da tecnologia moderna, mas ele não perderá sua essência. “O mistério permanece”, finaliza.

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