Nesta terça-feira (27/10), às 22h30, no Provoca, Marcelo Tas
entrevista o ator, diretor, dramaturgo e poeta Michel Melamed sobre os dilemas
da criação artística e o esgotamento da subjetividade no mundo contemporâneo.
Inspirando-se na antropofagia de Oswald de Andrade, o diálogo
aborda os desafios de digerir o excesso de dados, algoritmos e o tempo
exagerado diante das telas, contrapondo como encontra a felicidade na arte.
"Um lugar dessa trajetória que eu estou inteiro é quando as coisas vêm ao
mundo, quando elas estreiam. Eu carrego comigo essa pequena alegria de que
quando os espetáculos, os programas estreiam, era o que eu queria fazer",
explica.
Durante o programa da TV Cultura, Melamed compartilha os
bastidores de sua comédia musical O Funcionário Que Pede Para Não Ser
Identificado - obra sobre o fim da criatividade cujo livro conta com a orelha
escrita por seu ídolo Zico -, reflete sobre os desafios de produzir teatro no
Brasil e defende o palco como um espaço de liberdade imune à lógica
estritamente comercial. "A minha vida, Tas, ela é... Eu devo ela aos
artistas que cruzaram, que eu cruzei o caminho deles. Músicas que eu ouvi, os
espetáculos que assisti", comenta.
Por fim, o convidado relata como a experiência da paternidade
com o filho Uri o transformou, ensinando-o a superar a desconfiança e a se
colocar diante do outro com afeto. "Ser pai me ensinou a ser humano",
encerra Michel.