Nesta segunda-feira (26/10), às 23h, na TV Brasil, o programa
Caminhos da Reportagem mostra que o acesso à energia elétrica vai além de
acender uma lâmpada. Na Amazônia, onde a distância e as condições geográficas
dificultam a chegada da rede convencional, a eletricidade é fundamental para
ampliar o acesso à saúde, à educação, à comunicação e às oportunidades de
geração de renda.
A equipe da produção jornalística percorreu comunidades da
Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará, para mostrar como a energia
elétrica impacta o cotidiano de quem vive em áreas remotas da floresta. A
reportagem acompanhou a iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) de reunir pesquisadores, representantes de organizações da sociedade
civil e instituições parceiras para discutir e encontrar soluções viáveis aos
desafios técnicos, econômicos e regulatórios encontrados ali.
Segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), 99,8% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede
elétrica. Os 0,2% restantes estão concentrados, em sua maioria, em regiões
isoladas, especialmente na Amazônia Legal. De acordo com especialistas ouvidos
pela reportagem, cerca de 1,5 milhão de brasileiros na região amazônica ainda
não têm acesso ao serviço público de energia elétrica.
Na comunidade de Anã, a 4 horas de barco de Santarém, pelo
rio Arapiuns, moradores dependem de geradores a diesel, que fornecem
eletricidade por apenas três a quatro horas por noite, além de alguns sistemas
de energia solar. A limitação afeta desde a conservação dos alimentos até o
funcionamento dos serviços de saúde e da escola local.
A falta de refrigeração adequada, por exemplo, interfere nos
hábitos alimentares e na saúde da população. Sem condições de armazenar carnes
e peixes, muitas famílias recorrem à salga e a alimentos industrializados. Por
outro lado, na unidade básica de saúde, a disponibilidade de energia por
sistema solar tem favorecido a conservação de vacinas, o acesso à internet e a
realização de atendimentos por telemedicina.
A eletricidade pode ainda impulsionar a economia local. Em
Anã, famílias vivem da agricultura familiar, da pesca, da produção de mel de
abelhas nativas e do turismo de base comunitária. O fornecimento regular de
energia permitiria ampliar a capacidade de armazenamento e processamento dos
produtos, além de criar novas possibilidades de comercialização.
Na comunidade de São Miguel, a cinco horas de Santarém,
também pelo rio Arapiuns, a reportagem mostra os efeitos da instalação de sistemas
de energia solar. Os equipamentos permitem que moradores utilizem geladeiras,
freezers, televisores e ventiladores, melhorando as condições de vida. No
entanto, a iniciativa evidencia os limites do fornecimento: a quantidade de
energia disponível exige planejamento do consumo e restringe o uso de aparelhos
de maior potência.
O programa explica como funcionam os Sistemas Individuais de
Geração de Energia Elétrica com Fonte Intermitente (SIGFI) e os Microssistemas
Isolados de Geração e Distribuição de Energia Elétrica (MIGDI).
A produção também acompanha iniciativas de turismo de base
comunitária, artesanato e produção de biojoias, atividades que ajudam a gerar
renda e valorizar os conhecimentos e as tradições locais. Para os moradores, o
desafio é conciliar o acesso a serviços essenciais e novas oportunidades
econômicas com a preservação ambiental e o respeito aos povos e às culturas da
floresta.