No Dia do Piauí, comemorado nesta segunda-feira (19/10), o
programa Caminhos da Reportagem exibe uma produção da TV Antares, parceira da
TV Brasil, que revela a história e as belezas do Parque Nacional Serra da
Capivara. Em meio a paredões que guardam as marcas do tempo, as pinturas
rupestres resistem há milhares de anos e revelam vestígios da presença dos
primeiros habitantes do continente. O episódio ‘Serra da Capivara: A
Pré-História em Cena’ vai ao ar às 23h30.
Patrimônio mundial pela Unesco, o parque tem cerca de 129 mil
hectares, que equivalem a quase 80 mil campos de futebol, e possui mais de mil
sítios arqueológicos catalogados. As pinturas preservadas no parque têm idades
que variam de cerca de 12 mil a 3.500 anos, revelando registros da presença
humana ao longo do tempo.
Em sua primeira visita à Serra da Capivara, o dentista
Rodrigo Camazan se encantou com os vestígios do passado. “A gente gosta de
viajar e conhecer a história dos lugares. Já viajamos para outros lugares,
outros sítios arqueológicos, e estamos sempre procurando entender e compreender
como isso tudo pode estar interligado lá atrás”, diz.
Muito da preservação da Serra deve-se à arqueóloga Niède
Guidon, que, por mais de cinco décadas, pesquisou e protegeu esse patrimônio.
Ela morreu em junho de 2025, mas deixou um legado que hoje é preservado por
pessoas como Gisele Felice, amiga e parceira de trabalho de Niède. “Eu aprendi
muito sobre arqueologia com a Niède e aprendi muito sobre arqueologia com os
técnicos, as pessoas da região que sempre escavaram com ela e com todos os
outros pesquisadores que passaram por aqui. Niède sempre foi muito generosa em
relação a repassar o conhecimento e dar oportunidades”, destaca.
O Parque da Serra da Capivara ocupa um território com vários
municípios, entre eles São Raimundo Nonato e Coronel José Dias. Esses locais
também oferecem atrativos aos visitantes, como o “Museu do Homem Americano”,
que preserva peças encontradas nas pesquisas arqueológicas, fósseis, esqueletos
e réplicas dos povos antigos que viveram na região. Já o município Coronel José
Dias abriga o “Museu da Natureza”, que tem elementos interativos que até
simulam um voo panorâmico sobre as formações rochosas do parque.
A aposentada Luciana Moreira foi ouvida pela reportagem e
descreveu a experiência vivida no museu: “Eu achei fantástico. Eu realmente me
senti sobrevoando de asa delta e ver todos os ambientes que a gente visitou...eu
me senti muito emocionada”.
Além da riqueza histórica, o turista que visita a região também
pode desfrutar de um espetáculo cultural que une música, dança, teatro, circo e
artes visuais em meio às paisagens da Caatinga. A sétima edição da “Ópera da
Serra da Capivara” trouxe neste ano o espetáculo “Cleópatra Rainha
Caatingueira”, unindo referências do Egito Antigo à paisagem sertaneja.
“O corpo do Brasil está aqui na América, mas a nossa alma,
nossa história, nossa cultura, ela começa pela África também”, explica a
organizadora do espetáculo, Sádia Castro. Ela relembra que as pesquisas de
Niède Guidon também mostram que os primeiros habitantes das Américas vieram da
África e por isso a escolha do tema do espetáculo. “A gente tentou contar essa
história por uma mulher, uma mulher grande, poderosa, que morre e renasce aqui
no sertão”, complementa.
Durante quatro noites, cerca de 50 artistas de vários estados
brasileiros, entre músicos, cantores e bailarinos encantaram o público na Serra
da Capivara. Entre os espectadores estava a cirurgiã-dentista Rose Braga, que
nunca havia assistido a uma ópera. “Eu estou simplesmente encantada. Enquanto
eu assistia, eu falava para meu esposo que não perco mais nenhum ano. Foi um
espetáculo lindo”, afirma.
Outro personagem entrevistado pelo programa foi o empresário
Bernando Boljean, para quem a combinação de músicas compostas especialmente
para a ópera, cenário natural, história e efeitos visuais tornaram a
experiência ainda mais especial. “Eu já fui em muitos espetáculos fora do
Brasil, mas igual a esse eu nunca fui. Isso aqui é um negócio para a gente se
orgulhar. Toca o coração, em todos os sentidos. Me emocionei várias vezes.
Nunca senti tanto orgulho de ser brasileiro e de vir aqui, porque a gente tem
mania de prestigiar a cultura lá de fora. Essa cultura aqui, ela tem que ser
vista pelo Brasil e pelo mundo”, conclui.