O programa Caminhos da Reportagem que vai ao ar nesta segunda-feira
(12/10), às 23h30, na TV Brasil, debate os impactos da Inteligência Artificial
no mercado de trabalho e investiga como a tecnologia já influencia
contratações, qualificação profissional e rotinas produtivas.
A edição "IA: o futuro do trabalho" reúne
especialistas, trabalhadores e pesquisadores para discutir os desafios, as
oportunidades e os limites das ferramentas de IA em um cenário de rápidas
transformações nas relações de trabalho.
O mundo discute a influência da Inteligência Artificial (IA)
no mercado de trabalho. “Ela vai substituir todos nós? É no mês que vem, no ano
que vem, daqui a cinco anos?”, provoca o comunicador Marcelo Tas. “As empresas
têm deixado de contratar jovens ou pessoas com menor experiência na expectativa
de que os trabalhadores mais experientes ganhem produtividade”, aponta o
especialista em Políticas de Emprego e Mercado de Trabalho da OIT, Aguinaldo
Maciente.
Diretor de criação de marketing digital, Gabriel Cunha
reforça essa tese. “Eu sinto que o profissional sênior sabe o resultado que
quer. E quando isso acontece, você chega muito rápido com a IA. Já para o
profissional júnior, a gente coloca a tarefa mais repetitiva, para que ele se
acostume e se desenvolva. É a trajetória normal do profissional. O problema é
que a IA faz muito rápido e muito barato essa tarefa braçal”, explica.
Já a psicóloga Raquel Ribeiro conta que teve que reformular
o currículo, de olho nas novas tecnologias, para ter acesso a mais vagas de
emprego. “Todas as grandes empresas de recrutamento usam IA. Eu comprei um
curso para aprender a ter uma postura digital diante das plataformas e
conseguir uma recolocação mais rápida”, revela.
Em São Paulo, o Senai capacita 220 mil pessoas em IA.
Thainara Porcidonio é uma das alunas. Empolgada, ela diz que aplica na empresa
onde trabalha o que aprende no curso. “Eu tenho ‘n’ ferramentas. Para esse
cliente, eu posso usar esta. Para esse outro, eu posso aplicar a IA dessa
forma”, resume.
Por outro lado, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis
adianta dois problemas: “O grande debate nos Estados Unidos, onde eu resido há
quase 40 anos, é que até este instante as promessas da IA não surtiram efeito
econômico, seja no PIB do país, seja no lucro das empresas. O segundo grande
problema é que as empresas que implementaram à força ferramentas de IA e
despediram pessoas tiveram que recontratar essas pessoas, porque a IA não deu
conta de fazer o que elas faziam”, afirma Nicolelis.