A edição desta quinta-feira (10/09), às 23 horas, Repórter
Record Investigação, apresentado por Ari Peixoto, viajou ao Haiti para revelar
o drama de mulheres que denunciam terem sido abusadas e estupradas por
militares da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah),
uma operação de paz criada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2004 e liderada
militarmente pelo Brasil.
Dez anos depois do fim desta ação, a reportagem especial da Record,
realizada por Thais Furlan, além de trazer um retrato sobre essas mulheres,
mostra um país em guerra civil, em que até o aeroporto internacional está
fechado. O local, assim como as ruas, retrata a grave crise humanitária vivida
pelo país, atualmente dominado pela violência de gangues armadas e pelo colapso
de serviços essenciais.
O documentário acompanha histórias de haitianas que afirmam
terem sido abandonadas pelos soldados após os abusos. Muitas delas criaram
sozinhas os filhos gerados dessas relações, enfrentando condições extremas de
pobreza, fome e discriminação. Conhecidas no país como "Petit Minustah",
essas crianças convivem com a exclusão social e a falta de acesso a direitos
básicos, como educação.
A equipe percorreu áreas controladas por facções criminosas e
registrou o cenário de medo e insegurança que tomou conta das ruas haitianas,
marcadas pela presença de homens armados, prédios atingidos por tiros e
infraestrutura precária.
A reportagem também discute quais reparações e punições
deveriam ser aplicadas nos casos de violência sexual envolvendo integrantes da
missão da ONU, lançando luz sobre uma realidade que ainda afeta centenas de
mulheres e crianças quase uma década após o encerramento da Minustah.