Nesta terça-feira (18/08), às 22h30, na TV Cultura, Provoca,
apresentado por Marcelo Tas, recebe o fotógrafo e fotojornalista Pedro
Martinelli. Com uma trajetória marcada por coberturas jornalísticas e décadas
de trabalho na Amazônia, Martinelli relembra momentos da carreira e reflete
sobre as transformações da fotografia e do jornalismo.
Ao falar sobre as principais mudanças em sua profissão nas
últimas décadas, o fotógrafo aponta o fim do papel e dos jornais impressos como
uma transformação mais significativa do que a própria chegada do digital. Para
ele, a redução das equipes de fotografia também fez desaparecer o olhar próprio
do fotógrafo. “O fim do papel. Acabou, não dá mais, você não publica mais em
lugar nenhum. Os jornais não têm mais fotógrafos”, afirma.
Martinelli ainda reflete sobre a forma como o celular e a
produção instantânea de imagens alteraram o trabalho jornalístico. Segundo ele,
hoje, acontecimentos são registrados por pessoas que chegam ao local com seus
celulares, fazendo com que a fotografia muitas vezes passe a ser utilizada
apenas como ilustração.
Para o convidado, a função de quem está por trás das lentes
vai além de simplesmente registrar um acontecimento. “Não tem mais aquela coisa
de mandar um fotógrafo para um lugar, porque o jornal precisa de um outro
olhar, além do texto. É outro olho, outro olhar para as coisas. E isso acabou”,
critica.
A relação de Martinelli com a Amazônia ocupa espaço na
conversa. Durante dez anos, ele viveu em um barco e percorreu a região para
desenvolver diversos projetos. A experiência transformou sua maneira de
fotografar, bem como a relação com as pessoas retratadas. “Na Amazônia, eu
virei outro ser, passei a ser absolutamente educado (...) Antes de fotografar,
muita conversa, antes de fazer uma foto. Ficava dois, três dias sem fazer
nenhuma foto. Conversando, entendendo, explicando por que eu estava lá, quem
era eu, o que eu queria fazer”, comenta.