Em entrevista ao programa É Negócio, que irá ao ar neste
domingo (16/08), às 20h45, na CNN Brasil, o presidente da Motorola Brasil,
Rodrigo Vidigal, afirma que os impostos representam cerca de 40% do preço dos smartphones
no país, dificultando as exportações.
“Nós temos duas
fábricas espetaculares: uma em Jaguariúna e outra em Manaus. Moderníssimas, de
primeiro mundo. São fábricas impressionantes do ponto de vista de produtividade
e de qualidade”, afirma. Ele completa que “o nosso nível de produtividade é tão
alto quanto o de qualquer outra fábrica da Motorola no mundo”.
No entanto, o peso dos impostos locais barra a expansão no
continente. “Hoje, eu consigo atender o Brasil, mas não consigo exportar,
porque o produto brasileiro é muito pouco competitivo para exportação pela
carga tributária. A carga tributária inviabiliza a exportação”, lamenta
Vidigal.
Ele ilustra a distorção tributária na prática: “É mais barato
para o consumidor do Chile receber um produto da Motorola que vem da China do
que o meu, que estou aqui do lado”. Caso o Custo Brasil fosse equacionado e
permitisse à companhia exercer sua capacidade plena, a produção nacional daria
um salto expressivo. “Se a gente produz hoje mais ou menos 11, 12 milhões, a
gente poderia ir para 20 milhões [de unidades]”, afirma, ampliando o
atendimento ao mercado latino-americano.
O executivo também aponta o mercado informal como um dos
principais gargalos para o setor. O contrabando, que hoje representa quase 20%
das vendas no país, migrou de ambientes físicos para o ecossistema digital. “Com
os marketplaces, esse camelódromo subiu para a internet, para o e-commerce.
Você pode comprar um produto na sua casa, muitas vezes sem saber que é um
produto oriundo de contrabando, porque está comprando em uma plataforma que
você confia”, detalha.
Vidigal defende a responsabilização das plataformas e estima
o impacto positivo de um mercado formalizado para a companhia. “A gente
venderia mais uns 10%, 15% a mais”, o que, segundo ele, resultaria diretamente
em “mais emprego, mais geração de impostos, mais P&D para o país”.
Outro diferencial analisado pelo executivo é o perfil de
consumo local. Para Vidigal, o brasileiro prioriza a estética e o design em
relação aos aspectos estritamente técnicos. Para atender a essa demanda focada
em design e inovação local, a companhia mantém cerca de 1.200 engenheiros em
território nacional focados em pesquisa e desenvolvimento. A operação
brasileira é peça-chave na estratégia global da marca. “O mercado brasileiro
tem mais ou menos uma venda de 35 milhões de smartphones por ano, em média. A
gente tem um terço disso”, explica Vidigal, o que assegura à marca o “segundo
lugar” isolado no ranking de vendas do país.
O programa “É Negócio”, uma parceria do NeoFeed com a CNN
Brasil, ganha reprise às quartas-feiras, às 19h15, no CNN Money.