No Dia do Vira-Lata, comemorado nesta sexta-feira (31/07), o
Sem Censura exibe uma edição dedicada aos apaixonados por animais. O bate-papo apresentado
por Cissa Guimarães, que irá ao ar hoje, no horário alternativo das 23h30, na
TV Brasil, reúne especialistas para abordar os avanços e os desafios no
tratamento desses seres no país que tem uma das maiores populações de pets do
mundo.
Para destacar os direitos dos animais e explicar como cuidar
com responsabilidade e respeito desses bichos, o programa temático recebe a
ativista Luísa Mell, a advogada animalista Camila Prado e a médica veterinária
Rita Ericson. A jornalista Katy Navarro participa como debatedora na bancada.
A roda de conversa vespertina da emissora pública celebra os
cães e gatos Sem Raça Definida (SRD). A proposta é estimular atitudes como a
adoção consciente, promover o comprometimento com a causa e combater o abandono.
Conhecida pelo trabalho voluntário de resgate e proteção dos
animais, Luisa Mell teve uma trajetória como atriz e apresentadora. Na entrevista
para Cissa Guimarães, ela recorda o desafio de comandar produções como o
"Late Show", lançado em 2002 na RedeTV!.
"A primeira reportagem foi no centro de controle de
zoonoses, ainda conhecido na época como a carrocinha. Depois de três dias se
ninguém fosse buscar os cachorros, eles matavam. Era um corredor em que os cães
eram separados por dia de espera até a injeção letal. Ao ver a cena, pensei na
hora. Eu vim nessa vida para mudar isso. Naquele dia não consegui salvar
nenhum daqueles animais, mas passei a me dedicar para mudar essa
situação", recorda.
Luisa Mell continua sua reflexão. "Depois, descobri que
era muito mais do que só aquilo: os maus-tratos, a violência... Primeiro os
pets e em seguida todos os animais. Eu era uma apresentadora e fui me
transformando em ativista. Fui comprando briga", lembra.
"Eu era atriz, fazia teatro, me tornei outra pessoa.
Percebi que a vida era tão mais importante, profunda, quando você tem uma
causa. Acredito muito nisso. É difícil porque apesar de termos mudanças na
legislação, a pena ainda é muito branda. Sou formada em Direito. Vivencio isso
nas delegacias. Hoje em dia sou completamente vegana e me dedico totalmente
para isso", afirma.
A ativista conta como o amor pelos animais mudou sua vida.
"Era muito fresca, uma adolescente ainda, mas no primeiro resgate eu me
transformei. O que me importava era ajudar aquele bichinho a sobreviver. Os
animais modificaram completamente a minha vida, a minha personalidade. Eu virei
uma pessoa muito melhor por causa dos animais, inclusive com outras pessoas, o meu
olhar para o outro. Esses seres despertam algo superior na gente que não sei
nominar", comenta Luisa Mell.
Sobre o luto em relação à perda de um bichinho de estimação,
Luisa Mell diz. "Muita gente fala que não quer mais ter outro animal.
Costumo perguntar: você apagaria tudo que viveu com ele por causa dessa dor? A
vida é isso. As pessoas têm medo de perder”.
Luisa Mell também aborda a relação com os haters que
criticam suas ações na internet por conta de suas denúncias. "Muitas
pessoas ficam incomodadas. Meu trabalho é totalmente voluntário. Esse ódio dos
criadores de cachorros em que os animais sofrem em gaiolas, sem vida nem
cuidado veterinário envolve muito o poder econômico, atrapalhando o negócio de
muita gente que me detesta, uma indústria. Muitas vezes, também, quem está
criticando, só julga, mas não faz nada por ninguém. Aprendi isso", pontua.
Luisa Mell ainda fala sobre o especismo, a discriminação
contra seres vivos com base na sua espécie biológica.