Nesta terça-feira (09/06), às 22h30, no Provoca, Marcelo Tas
conversa com Yohansson Nascimento, atleta que conquistou seis medalhas
paralímpicas pelo Brasil e atualmente é vice-presidente do Comitê Paralímpico
Brasileiro (CPB). Durante o programa da TV Cultura, o convidado fala sobre a
falta de acessibilidade nas cidades brasileiras, os desafios enfrentados
diariamente por pessoas com deficiência e a trajetória que o levou ao esporte
paralímpico.
Ao refletir sobre a realidade das pessoas com deficiência no
país, Yohansson chama atenção para as barreiras ainda presentes no cotidiano.
Para ele, a inclusão passa por mudanças estruturais e culturais. “Tem que se
preocupar, cada vez mais, em tornar todos os locais acessíveis, para que seja
aberto para todo o público”, observa.
O atleta também fala sobre a forma como encara a ausência das
mãos, condição com a qual nasceu. Segundo ele, agir com naturalidade é a melhor
maneira de lidar com as diferenças. “Na dúvida, haja naturalmente como uma
pessoa que não tivesse algum tipo de deficiência”, diz.
Yohansson ainda aborda os desafios da inclusão no mercado de
trabalho e na educação. Ao comentar a legislação de cotas para pessoas com
deficiência, ele destaca que o problema começa muito antes da contratação. “A
falta de acessibilidade já vem...nem chega [à universidade], e é uma pena isso”,
afirma.
O entrevistado relembra também o episódio que mudou sua vida
e o levou ao atletismo. Prestes a concluir o ensino médio, ele foi abordado
dentro de um ônibus pela treinadora Valquíria Campelo, que o convidou para
conhecer o esporte paralímpico. A princípio, a ideia não despertou interesse,
mas uma primeira competição foi suficiente para mudar seus planos. “Voltar para
casa com uma medalha no peito, mostrar para os meus pais, eles ficarem
orgulhosos daquilo. Ali foi onde eu disse: é isso que eu quero para a minha
vida”, frisa.
Ao longo da entrevista, Yohansson compartilha ainda histórias
da infância, fala sobre sua atuação à frente do Comitê Paralímpico Brasileiro e
defende o esporte como ferramenta de transformação social.