O ‘Paulistar’ deste sábado (21/03) vai à Zona Leste da
capital para desbravar a Vila Carrão. O bairro é marcado pela presença da
cultura de Okinawa, resultado da imigração japonesa ao longo do século XX, e
por uma organização social estruturada em torno de clubes, associações e outros
espaços de convivência. Guiada por Joyce, residente local, a apresentadora Valéria
Almeida explora a região, que teve origem em antigas chácaras no século XIX,
passou por um processo de urbanização nas décadas seguintes e hoje abriga cerca
de 75 mil moradores.
A jornada começa no Clube Vila Manchester, nome pelo qual é
conhecido o Centro Esportivo Vicente Ítalo Feola, inaugurado em 1968 em uma
área que anteriormente abrigava campos de futebol.
Frequentado por moradores de diferentes idades, o clube se
consolidou como um dos principais pontos de encontro da Vila Carrão, oferecendo
atividades gratuitas como alongamento, pilates, dança e esportes. Ao lado da
anfitriã Joyce, Valéria conhece histórias de frequentadores antigos, como Seu
João, morador da região há mais de oito décadas e um dos primeiros a jogar
futebol de salão no local.
A visita também perpassa a história do bairro e revela a
origem do nome Vila Carrão: uma homenagem a João da Silva Carrão, que foi
presidente da então Província de São Paulo em meados do século XIX. Décadas
depois, a chegada de imigrantes japoneses, principalmente da ilha de Okinawa,
transformou a dinâmica cultural da região, implementando tradições próprias.
Um dos principais símbolos dessa herança é a Associação
Okinawa, fundada em 1957 por imigrantes e mantida até hoje como um espaço
aberto à comunidade. No local, Valéria acompanha atividades como o gateball,
prática esportiva tradicional japonesa, além de apresentações de taikô,
instrumento de percussão ligado a rituais e celebrações de Okinawa, e de
shishimai, dança do leão associada à proteção e à boa sorte. Durante a visita,
ela conversa com moradores e descobre que a Associação também oferece aulas gratuitas
de diversos esportes, como o próprio gateball, e atividades culturais,
fortalecendo os vínculos comunitários do bairro.
A diversidade cultural se amplia com a presença da dança
hula, manifestação havaiana que encontrou afinidade com a cultura de Okinawa e
foi incorporada às atividades da Associação. Valéria participa de uma aula e
conhece alunas de diferentes idades.
A gastronomia também integra o roteiro. Em um restaurante
comandado por descendentes de japoneses, Valéria e Joyce experimentam pratos
inspirados na culinária de Okinawa, como o hot roll, versão frita do sushi que
se popularizou no bairro. Em seguida, o passeio continua em um izakaya, típico
boteco japonês, criado por Tio Lu, morador conhecido da comunidade. No local,
pequenos pratos são compartilhados no balcão.
Com direção de Beto Silva, produção de Nathalia Pinha e
direção de gênero de Claudio Marques, o ‘Paulistar’ é exibido aos sábados, logo
após a edição especial de ‘Terra Nostra’ na TV Globo.