Com o fim da Segunda Guerra, os soldados aliados passaram a
reunir pinturas, fotografias e objetos que seriam guardados como troféus da
vitória sobre os nazistas. Oitenta anos depois do conflito, alguns desses
souvenirs seguem aparecendo e, entre os recém-encontrados, há um misterioso
álbum de fotos. É a história por trás dele e seus personagens o tema do
documentário Desmascarando os Assassinos do Terceiro Reich que ganha destaque
na programação do Curta!.
Com produção ZED e direção de Barbara Nececk, a obra
apresenta uma pesquisa recente que estuda, a partir de um álbum com mais de 200
fotos, a máquina de morte dos campos de concentração. O documentário investiga
a origem desses centros e como o mal se tornou algo banal no Terceiro Reich.
Sob o título Memórias e com um símbolo da SS na capa, o
arquivo nazista se tornou uma peça de estudo do historiador alemão Stefan
Hördler. Um dos mais renomados pesquisadores sobre o nazismo, ele descobriu o
álbum com um colecionador e lidera a investigação sobre o campo de concentração
de Lichtenburg.
“Nessas fotos vemos os futuros assassinos em massa, que
seriam responsáveis pela morte de centenas de milhares de pessoas. E a pergunta
central feita ainda hoje é: por que esses homens se tornaram assassinos em
massa? A ideologia por si só não é uma força motriz suficiente para matar
mulheres e crianças, então por que a maioria deles fez isso”, questiona o
historiador.
O documentário revela que, além da raridade do material, o
que moveu o pesquisador foi a possibilidade de identificar indivíduos e grupos
que ajudaram a montar o esquema de morte. O álbum traz imagens de soldados e
oficiais, em sua maioria anônimos. As fotos tiradas entre as décadas de 30 e 40
foram coladas sem nenhuma anotação, e a parte difícil do quebra-cabeça foi
entender quem eram esses homens e que papel desempenharam na máquina nazista.
Pouco a pouco, Hördler vai identificando rostos, como o de Kurt Schreiber e
Arthur Rödl, da SS, e símbolos que o ajudam a revelar novos horrores.
“Posso dizer que, sem esses homens, o sistema dos campos de
concentração nunca teria funcionado”, afirma Hördler.
As imagens exibem sorrisos, posturas arrogantes e
autoritárias e de momentos comuns do cotidiano. Entre elas, um jogo de futebol
e uma festa sendo realizados enquanto centenas de prisioneiros eram torturados.
O documentário mostra que para muitos, a violência era um prazer e foi se
tornando banal, e discute como a complacência dos cidadãos comuns ajudou a
montar o esquema genocida.
“O campo de Lichtenburg foi um ponto de partida para a
violência. É como uma janela histórica que podemos abrir para vislumbrar a
evolução futura do sistema de campo de concentração”, diz o historiador.
“Eu simplesmente cumpri meu dever. Obedeci às ordens”,
defendeu-se Kurt Schreiber, condenado a 20 anos de prisão por um Tribunal
Militar. A fala é exibida em áudio retirado de seu julgamento.
Horários: dia 07 de fevereiro, às 02h30 e às 09h10; dia 08 de
fevereiro, às 15h30; dia 09 de fevereiro, às 16h30; e dia 10 de fevereiro, às
10h30.