O canal Arte1 estreia nesta quarta-feira (28), às 20h30, a
série documental "Abre a Coxia", produção que lança um olhar sobre a
diversidade e a resistência do teatro brasileiro. Em oito episódios, a obra
percorre grupos teatrais de diferentes regiões e estéticas, revelando processos
criativos, trajetórias, linguagens e a centralidade do palco como espaço de
expressão artística, política e cultural.
Com produção da Lep Filmes e direção de Liz Reis, "Abre
a Coxia" propõe uma imersão no teatro como arte viva e contato direto
entre artista e público.
O episódio de estreia é dedicado ao Teatro Oficina. O
capítulo revisita a trajetória do equipamento cultural, com depoimentos de
atores, diretores, técnicos e parceiros históricos, destacando o impacto
artístico, político e espiritual de uma das companhias mais transgressoras do
país.
A diretora Liz Reis comenta o impacto da morte de José Celso
Martinez Corrêa (1937-2023), fundador do Teatro Oficina, durante as gravações
do episódio de estreia. "O Zé Celso faleceu no meio do processo. A gente
tinha uma entrevista marcada para quatro dias depois. Isso gerou uma dor de
estar vivendo aquilo junto com eles. Mas, dentro desse triste cenário, a gente
conseguiu fazer uma bela homenagem", adianta.
O segundo episódio acompanha o Teatro do Incêndio, coletivo
marcado pela experimentação radical e pela ocupação urbana no bairro do Bixiga,
na capital paulista. O terceiro capítulo é dedicado ao Grupo TAPA, referência
no teatro de repertório e na pesquisa rigorosa do ator desde 1974.
Os episódios seguintes ampliam o panorama com a Armazém Cia
de Teatro, que desenvolve um teatro sensorial e imersivo; o Núcleo Bartolomeu
de Depoimentos, pioneiro na fusão entre hip-hop, rap e teatro épico; além de
coletivos cariocas como o Complexo Negra Palavra e o Teatro Íntimo, que
investigam, cada um à sua maneira, a palavra, a memória e a presença em cena.
A série se encerra com episódios dedicados ao Grupo
Redimunho de Investigação Teatral e ao encontro entre duas companhias
emblemáticas: o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, e o Teatro da Vertigem, de São
Paulo, conhecido por suas criações em espaços não convencionais.