Na próxima sexta-feira (16/01), às 21 horas, o Curta exibirá
o documentário Jogos Perigosos: Roblox e o Metaverso.
Com depoimentos de especialistas e menores de idade que
sofreram com predadores sexuais em jogos como Roblox e Minecraft, o filme contém
material sensível. A direção é de Ann Shin, que dá voz às vítimas e suas famílias.
Uma delas é Janae, que encontrou no ambiente virtual um local
não só de diversão e distração, mas de acolhimento. Deslocada na escola,
alimentou relações no Roblox, plataforma de jogos sociais que permite que os
usuários criem jogos e convivam com os amigos, onde ela simulou interações que
não tinha no mundo real.
‘O que me atrai do Metaverso é que ele é uma extensão de mim.
Podemos falar e ter a aparência que quisermos. Ele nos dá acesso a outro mundo’,
explica.
O mesmo aconteceu com Alex, para quem, à princípio, o
passatempo era convidativo e agradável. Apesar disso, a plataforma se revelou o
oposto. Elas foram aliciadas por jogadores ‘com uma mentalidade masculina
tóxica’, como define Alex. O documentário mostra como estes locais foram
dominados por grupos que exploram vulnerabilidades e inseguranças de
adolescentes para seduzir, recrutar e radicalizar, com casos que vão desde
apologia ao nazismo até sequestros.
‘A normalização da retórica extremista talvez seja a coisa
mais nefasta que acontece hoje no Metaverso, porque quando o ódio é normalizado
em um espaço, passa a valer em todos’, analisa a psicóloga Rachel Kowert.
O filme ressalta a importância do metaverso para a
socialização e a diversão das crianças e dos adolescentes. Por isso, elas resolveram
agir, não só para preservar um espaço para compartilhar sonhos, mas para
proteger umas às outras. Diante da inação das plataformas, os jovens têm se
mobilizado para criar mecanismos de proteção e denúncia, como fóruns, contatos
com parlamentares e códigos para identificar abusadores, atentas à
transparência, normas e políticas de uso de dados e moderação de conteúdo.
‘Para obter uma mudança de verdade, é preciso ir diretamente
às empresas. Obter respostas das empresas é a prioridade número um. E a
pergunta número um que eu faria ao Roblox é: como vocês protegem as crianças?’,
questiona Alex, que ressalta que as companhias lucram bilhões de dólares por
ano e tem um atendimento ao usuário ineficaz.
‘Jogos Perigosos: Roblox e o Metaverso’ é uma produção da
TVO.