Nesta segunda-feira (01/09), a TV Brasil exibe, às 23h,
um novo episódio do programa Caminhos da Reportagem que tem como tema o “Manejo
do Fogo: do ancestral ao futuro”. A atração aborda as inovações desenvolvidas
para enfrentar os desafios das queimadas no Brasil.
Ao programa, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, afirma
que, diante das mudanças climáticas, mais do que promover estrutura para
combater incêndios, é preciso investir em prevenção. “É saber lidar com o fogo
como um componente cultural, como um elemento presente na paisagem. Com as
mudanças climáticas, não dá para brincar. As tragédias serão cada vez maiores
e, muitas vezes, teremos a sensação de impotência”, ressalta.
O trabalho de combate ao fogo também é realizado pelos
brigadistas florestais. Segundo Thomas Tanaka, técnico ambiental do órgão
associado ao Ibama, PrevFogo, sejam contratados ou voluntários, muitos
brigadistas acabam, infelizmente, feridos ou mortos. “Eles colocam a vida em
risco para proteger a vegetação, as comunidades e as cidades. Além de a chama
ser perigosa, a fumaça é extremamente danosa à saúde humana”, explica.
Osvaldo Barassi Gajardo, especialista em conservação da
WWF-Brasil, reforça que o brigadista é uma figura-chave. “Não adianta ter
brigadistas por quatro ou cinco meses. Precisamos tê-los o ano inteiro,
realizando ações de prevenção. Acredito que a valorização desse profissional é
algo urgente”, lembra.
O Caminhos da Reportagem apresenta a história de
Mayangdi Inzaulgarat Suárez, que nasceu em Cuba, mas mora no Brasil desde 2013.
Apesar de trabalhar com audiovisual, em 2019, teve o primeiro contato com
incêndios florestais no Distrito Federal, onde reside. Nesse período, passou a
atuar como brigadista voluntário. Após se naturalizar brasileiro, ingressou no
serviço público e, hoje, integra a equipe do PrevFogo. Em 2024, o brigadista
atuou na comunidade quilombola Kalunga do Mimoso, em Tocantins.
“Essas populações tradicionais utilizam o fogo desde que
surgiram, tanto indígenas quanto quilombolas. Eles aplicam o fogo de forma bem
controlada no fim da época das chuvas, porque sabem que o fogo das 16h30, por
exemplo, vai se apagar até as 17h, numa mata mais fechada, mais fria e mais
úmida, sem causar danos”, compartilha.
A produção da TV Brasil destaca que o fogo é
utilizado por essas comunidades há séculos como uma ferramenta de manejo do
território, com técnicas adaptadas ao ambiente local.
A ONG Instituto Invento desenvolveu, junto a pesquisadores,
agricultores, brigadistas, voluntários e o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio), cinco soluções inteligentes e
acessíveis para o combate ao fogo, durante uma oficina realizada em Brasília.
Oda Scatolini, diretor executivo do Instituto Invento, conta
que o coletivo já criou mais de 60 protótipos nas áreas da produção
agroecológica, produtos da sociobiodiversidade e restauração ecológica.
Entre as tecnologias desenvolvidas pelo grupo estão: bombas
costais elétricas, reservatórios de água, acessórios para roçadeiras que
permitem combater o fogo de turfa (ou fogo subterrâneo), protocolos de design
de propriedades resilientes ao fogo e sensores para monitoramento do solo e do
clima.