Nesta terça-feira (17/09), às 22 horas, na TV Cultura, “Provoca”
recebe Bruno de Sousa, conhecido como Bob 13, CEO e fundador da Batalha da
Aldeia, hoje uma das maiores batalhas de rap do país. Marcelo Tas conversa com
ele sobre o início da BDA, o incentivo recebido de empresas e prefeitura,
paternidade e sonhos.
Bob 13, junto ao amigo Giovanni Zanardi, iniciou a Batalha da
Aldeia de forma espontânea e improvisada: “A gente chegava nas rodas de pessoas
e falava E aí, alguém aí sabe rimar? [...] Vamos brincar, é freestyle, estilo
livre. Formamos uma rodinha e começamos a brincar de rimar. E, naturalmente,
mais pessoas iam chegando e começavam a zoar um ao outro. E aí falamos: vamos
fazer uma batalha então e todo mundo ali topou, no calor do momento”, revela.
Depois de anos, Bob diz que notou uma grande mudança no
público que os acompanha. “As crianças estão sendo muito impactadas pelas
batalhas e acabam fazendo com que seus pais as levem. Então, vemos uma molecada
com os pais de 40 anos. E é incrível porque os pais chegam meio turrões e,
quando você vê, estão vibrando”, acrescenta.
“A cultura de Barueri é defasada. [...] Existem pontos
positivos e negativos. Temos um complexo chamado Praça das Artes, um lugar
maravilhoso, com uma ótima estrutura e que recebe alunos de vários lugares.
Mas, quando falamos da cultura periférica, urbana, de rua, podemos reconhecer
que é onde os caras estão vacilando”, afirma.
A BDA recebe patrocínio de um dos maiores canais de podcast
do Brasil, o PodPah, que reforça os prêmios dados aos MCs e investe na
estrutura do evento. Mas, quando se trata de apoio da prefeitura da cidade, Bob
diz que não existe incentivo à Batalha. “A cultura tem que ser apoiada e
fortalecida pela prefeitura. Eu falo que a Batalha da Aldeia faz algo
totalmente fora da curva, que é conseguir investimento privado para uma parada
que deveria ter investimento público. [...] É triste, cara, revoltante,
frustrante... Barueri demorou muito tempo para entender o que era a BDA. Eles
olhavam para a gente e viam uma folha de maconha!”, diz.
O evento já passou por algumas reviravoltas, como em 2019,
quando, durante uma das batalhas, a polícia barrou a edição usando atos de
violência. Bob diz que enfrentou ao menos uma desavença por ano com policiais
ou autoridades da cidade. “Tivemos que abaixar a cabeça várias vezes e
sofremos, sim, repressão policial. Fomos convidados a nos retirar de lá várias
vezes”, diz o fundador da Aldeia.
Ao falar de paternidade, Bruno relata o tamanho do amor que
tem pela filha e diz ser um sentimento totalmente diferente do que já sentiu
antes. “Hoje sou uma pessoa muito medrosa. Minha filha me trouxe esse medo.
Antes, eu fazia muitas coisas no impulso, agora não; tenho uma filha aqui.
Então, ter medo das coisas é se tornar alguém mais responsável também”, afirma.
O empreendedor ainda fala sobre onde espera chegar no futuro
e relata um de seus maiores sonhos: “Hoje, sou apresentador de batalha, músico
e CEO da Batalha da Aldeia. [...] Meu maior sonho, de verdade, é ser respeitado
como um comunicador. Ter um programa, um quadro na TV aberta”.